A Cruzada Bandida

A Quarta Cruzada e o Saque de Constantinopla

O cronista desta desastrosa cruzada,  uma cruzada de
bandidos, foi Godofredo (Geoffrey) de Villehardouin,
Marechal de Campanha e autor de Memórias ou Crônica da
Quarta Cruzada e a Conquista de Constantinopla.

Naquela época a travessia por mar se dava com contrato
envolvendo a maior potência naval da Europa, que era
Veneza.

Os cruzados franceses assumiram uma dívida de 85 mil
marcos de prata à Veneza para a viagem até o Egito,
mas tinham apenas 50 mil marcos de prata, capital
insuficiente para cobrir as despesas do translado de
33.500 soldados e cavalos para o Oriente Médio.

Os cavaleiros cruzados liderados por Balduíno, Conde
de Flandres e por Bonifácio, Marquês de Montferrant,
ficaram sem dinheiro no meio do caminho, acampadas na
ilha do Lido, em Veneza, e assim tiveram de aceitar o
desvio da missão original que era combater os
muçulmanos no Egito.

Sem dinheiro e no meio do caminho, isolados em uma
ilha, tiveram de se submeter às vontades do doge ,
Enrique Dándolo de Veneza.

Como primeira missão, foram obrigados à retornar com
homens, cavalos e aço para Veneza e tomar o porto de
Zara, no litoral Adriático que havia sido ocupada pelo
rei da Hungria, um cristão!

Mas isso foi insuficiente, ainda presos à obrigação
com o Doge de Veneza, este desejoso de se livrar de
Constantinopla, rival comercial e militar, os cruzados
juntaram-se as tropas de Veneza e marcharam contra o
Império Bizantino, outro Reino Cristão!

Assim tanto os nobres franceses como seus sócios
venezianos ocupando mais de 150 navios e galeras
lançaram um fulminante ataque pelo mar.

As poderosas muralhas do oeste da cidade de
Constantinopla repeliram invasores persas, germânicos,
hunos, ávaros, búlgaros e russos, em um total de 22
sítios durante séculos, mas de nada adiantaram na
conjunção de forças com Cruzados e Venezianos e um
ataque pelas costas.

Baseada em seu poder naval, utilizando o Drómon,
Bizâncio julgava-se imune aos ataques pelo mar, deste
modo as muralhas ao longo do litoral, sobretudo ao
longo do Corno de Ouro, no canal que separava
Constantinopla da vila de Pera ao norte, revelaram-se
frágeis.

Tomada de assalto em 12 de abril de 1204 a cidade foi
saqueada e incendiada por três dias, e nem tesouros da
Igreja Ortodoxa e supostas relíquias cristãs, riquezas
acumuladas por quase 1000 anos, foram poupados.

Os cruzados estabeleceram seu próprio reino católico
na região, tomando para si a parte européia do Império
Bizantino e algumas cidades da Anatólia.

Os bizantinos reuniram forças e em 1261 retomaram
Constantinopla e restabeleceram seu domínio sobre a
Península Balcânica. Mas agora governavam um império
depauperado economicamente e sem o apoio da Igreja
Católica.

Em Novembro de 2004 o papa João Paulo II, seguindo sua
política de reaproximação com as demais religiões  em
cerimônia realizada no Vaticano no final de novembro
de 2004, devolveu os santos ossários de mártires da
Igreja Cristã Ortodoxa ao patriarca oriental.

Relíquias estas que haviam sido roubadas do interior
da Igreja de Santa Sofia há 800 anos passados, por
ocasião do saque de soldados cristãos.

O episódio vergonhoso da cristandade que somente
acelerou ainda mais a separação das duas igrejas, a
católica e a ortodoxa, situação que se prolonga por
oito séculos, foi o pivô da queda de Constantinopla
ao ser tomada pelos Turcos na terça-feira de 29 de
maio de 1453, pois nunca mais o Império Bizântino se
recuperou do saque de 1204.  

RTJ Tonsatus 

 

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